| RAPA NUI No Big Surf, ter um cronograma antecipado de viagens pode se tornar um risco muito grande, pois é difícil saber aonde as grandes ondulações irão estar. Hoje, com o auxílio dos mapas da Web, os Big Riders conseguem chegar em qualquer lugar do mundo nas vésperas dos dias de ondas gigantes, facilitando assim o seu trabalho. Foi desta forma que Rodrigo Koxa e Alemão de Maresias partiram para Rapa Nui, fazendo uma viagem de última hora e chegando na ilha junto com o swell previsto na Web. Por Rodrigo Koxa Desta vez eu estava em casa, no Guarujá, assistindo televisão, enquanto a minha mulher Aline estava no computador. De repente ela disse: ”Tem uma bomba indo para a Ilha de Páscoa”. No mesmo instante fui conferir as condições. Estava tão bom, que em seguida fui contatar o meu amigo Alemão de Maresias, que é um profundo conhecedor da região ficando bastante empolgado com esse swell. Daquele momento em diante, passamos a vivenciar a ansiedade dessa viagem instigadora. Verificamos diversos mapas da Web por diversas vezes, até decidirmos no último momento, que não perderíamos esta ondulação, pois se tratava de um swell grande e com o vento privilegiado. Agilizamos as passagens e convidamos o fotógrafo Akiwas para nos acompanhar e registrar a trip. No dia seguinte, já estávamos a caminho do swell. Ao chegarmos em Rapa Nui, sentimos um vento muito forte em toda a Ilha. Um vento que já relatava que estaria por vir uma grande ressaca no oceano. Dessa forma, a energia de Rapa Nui estava ainda mais fascinante. Os Locais nos receberam super bem. Foi bonito ver a amizade que o Alemão tem com os Locais de Rapa Nui. Após os cumprimentos, nos instalamos na casa da avó do nosso amigo Wilo. Com o swell já começando a chegar, resolvemos alugar um carro para ficarmos em contato constante com as melhores condições das ondas. Os picos de surf em Rapa Nui são sinistros. Ficam de frente a paredões de pedras e são cheios de ouriços. Muitas ondas perfeitas de 4 à 20 pés rodeiam a Ilha sem ninguém para surfá-las, pois basta reparar um pouco nos picos onde as ondas quebram que nos deparamos com enormes pedras puxando para fora da água. Por isso trata se de um surfe com extrema cautela e precisão. Os locais surfam várias ondas da região, mas as melhores ondas com tubos secos e baforadas, ainda ficam quebrando solitárias. Sempre que eu perguntava de uma outra onda quebrando sozinha para um Local, ele dizia: “Vai lá amigo, as ondas estavam esperando você chegar! (risos)”. Eles têm muito respeito pelo pico em que as ondas quebram e por seus ancestrais, que para eles estão presentes em todos os lugares e a todo tempo. Nossa idéia era surfar uma onda rara que quebra só quando a ondulações passa dos 20 pés e na direção certa. Como os mapas da web previam ondulação de 10 metros por 17 segundos, cerca de 35 pés, tratava-se do tamanho suficiente, mas a direção da ondulação virou na última noite e surfamos a “rebarba” deste swell em uma outra onda alucinante da região, que os nossos amigos locais, tow surfers, Rene e Wilo nos levaram. A Onda. A melhor opção no dia foi surfar essa esquerda que quebrava em frente às pedras. Nas condições que se encontravam as ondas, o tow-in foi a melhor maneira de aproveitarmos a grande ondulação. Nossa estrutura era um jet ski e um barquinho de apoio dentro do mar. Akiwas preferiu fazer as fotos das pedras, garantindo um ótimo trabalho. Com isso a nossa equipe funcionou na maior harmonia. A onda era muito rápida e bem pesada, pelo fato da bancada ser muito rasa. Era um mix dos tubos de Pipeline e Teahupoo com o peso e o balanço de Maverick´s. Uma onda de difícil leitura, pois eram dois tubos distintos na mesma onda. O primeiro pico era a maior sessão da onda, com um tubo bem pesado de massa de água que muitas vezes acabava amassado na saída. Em seguida quebrava o segundo pico e este era uma nova sessão, que levantava mais à frente com um tubo menor, porém bem rápido com uma bela baforada. O desafio foi surfar deep o primeiro tubo a tempo de sair antes de amassar e ainda passar pelo segundo tubo. Surfamos de cordinha para a prancha não ir para cima das pedras e isso dificultou o tempo dos resgates, pois a prancha pesada com chumbo acabava ficando de baixo da água bem na hora de subir no Slad do jet. O Alemão surfou muito bonito, explorando sempre o limite das ondas. Mostrou intimidade com o pico quando assumiu a pilotagem do jet em minha segunda sessão de surf. Foi nesta queda que peguei minhas melhores ondas dessa viagem. Obrigado Alemão! Energia muito boa. Obrigado aos Locais de Rapa Nui, em especial ao Wilo e Rene. Maururu. Depois do dia inteiro de altas ondas em um local de natureza tão mística e bela, é que percebemos o verdadeiro valor disso tudo. A cumplicidade de realização contamina a galera presente no dia. Todos estavam ligados de alguma forma. O barqueiro, o Akiwas fazendo as fotos, a galera revezando a corda e a pilotagem do jet, Locais e turistas comemorando das pedras as ondas surfadas. Todo esse alto astral foi levado para um restaurante local onde a galera comeu e bebeu cerveja rindo a toa. No dia seguinte, como o mar baixou, eu e o Alemão decidimos surfar essa onda na remada. Akiwas optou em fazer as fotos nadando dentro da água, o que ficou um pouco difícil a ele devido a forte correnteza do local. Nos outros dois dias que restaram, aproveitamos para conhecer cavernas místicas, Moais históricos e vulcões onde até hoje existem competições tradicionais como a do Homem Pássaro. Também escutamos lendas e suposições contagiantes de antigas civilizações da ilha. Com certeza de todas as viagens que já fiz pelo mundo, foi em Rapa Nui que senti a maior e mais forte energia espiritual, vendo tudo o que as antigas civilizações construíram e até hoje permanecem na civilização atual. Espírito Surf..... Para mim foi missão cumprida. Sou apaixonado pelo compromisso de buscar novos desafios. Foi isso que despertou minha paixão pelo Big Surf. Vejo surfistas trocarem tudo pelo puro prazer de sentirem o êxtase em situações extremas dentro do mar. Esse prazer inexplicável de não medir esforços para estar presente em mais um dia especial de altas ondas, é que nos mantém vivos espiritualmente. O surf é nossa luz, então a onda é a energia que a gente vai sempre estar atrás. "KOXA" |